CIRCUITOS NEURAIS (MEMÓRIA E EMOÇÃO); NEURÔNIO E SINAPSE;  CÉLULAS DA GLIA E BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA

CIRCUITOS NEURAIS (MEMÓRIA E EMOÇÃO); NEURÔNIO E SINAPSE; CÉLULAS DA GLIA E BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA

1.    TEMA: CIRCUITOS NEURAIS (MEMÓRIA E EMOÇÃO)

Numa aula de neuroanatomia, de um certo curso de especialização, o professor pede à aluna que aponte no slide uma estrutura anatômica importante para o  processo de aprendizagem. A aluna, um pouco constrangida, lembra da estrutura anatômica, guardando aquele episódio constrangedor em sua memória e consolidando também a memória daquela estrutura anatômica que ela teve de identificar. Após esse breve momento de desconforto, a aluna, de forma bastante hábil, aponta corretamente para a estrutura em questão.

Estruturas anatômicas do cérebro dessa aluna por onde a informação passou, desde o momento em que a aluna sentiu-se constrangida e teve que pensar para lembrar da estrutura em questão, até o momento em que a informação foi consolidada em sua memória:

O constrangimento ou o medo é uma reação em cadeia no cérebro que tem início com um estímulo de estresse e termina com a liberação de compostos químicos que causam aumento da freqüência cardíaca, aceleração na respiração e energização dos músculos. A resposta é quase inteiramente autônoma: não a disparamos conscientemente.

Determinadas partes do cérebro desempenham papéis centrais nesse processo:

•    Tálamo - decide para onde enviar os dados sensoriais recebidos (dos olhos, dos ouvidos, da boca e da pele).

•    Hipocampo - armazena e busca memórias conscientes, além de processar conjuntos de estímulos para estabelecer um contexto.

•    Córtex sensorial - interpreta os dados sensoriais.

•    Amígdala - decodifica emoções, determina possíveis ameaças e armazena memórias do medo.

•    Hipotálamo - ativa a reação de "luta ou fuga".

2.    TEMA: NEURÔNIO E SINAPSE:

Transmissão sináptica, estruturas do neurônio, elementos do processo eletroquímico e principais diferenças entre sinapse excitatória e inibitória:

Sinapse é o contato entre os neurônios para a transmissão do impulso nervoso. Na sinapse química existe um espaço entre os neurônios, chamado de fenda sináptica, com a presença de sinalizadores químicos: os neurotransmissores. Eles são substâncias químicas liberadas pelos neurônios e utilizadas para a transferência de informações entre eles (Acetilcolina, Adrenalina, Dopamina e a Serotonina). Nas sinapses elétricas não há fendas sinápticas, há uma junção célula-célula, ou seja, não há mediação por neurotransmissores, apenas pelas conexinas, que são proteínas canais que permitem a passagem direta de íons de uma célula a outra.

Quando um impulso nervoso alcança o fim de um axônio pré-sináptico, as moléculas dos neurotransmissores são liberadas no espaço sináptico. Os neurotransmissores constituem um grupo variado de compostos químicos que variam de simples aminas como a dopamina e aminoácidos como o g-aminobutirato (GABA), a polipeptídeos tais como as encefalinas. Os mecanismos pelo qual eles provocam respostas tanto nos neurônios pré-sinápticos e pós-sinápticos são tão diversos como os mecanismos empregados pelos receptores de fator de crescimento e citoquinas.

Os neurotransmissores facilitadores ao chegarem ao receptor, iniciam uma despolarização da membrana pós-sináptica, se esta despolarização tiver voltagem suficiente irá se difundir pela membrana celular próxima, causando uma despolarização por toda a célula, com consequente difusão do potencial de ação. São considerados facilitadores: a acetilcolina, a glutamina, a noraepinefrina e a serotonina.

Os neurotransmissores inibidores ao chegarem ao receptor determinam uma hiperpolarização, isto é, dificultam a troca de íons entre a membrana. São considerados inibidores: a dopamina e o ácido gama-amino-butírico.

Pode-se, então, concluir que cada neurônio é capaz de receber uma grande variedade de mensagens químicas. Se a sua resposta a essa mensagem for uma despolarização da membrana, a sinapse é excitatória. Se, pelo contrário, a sua resposta for uma hiperpolarização da membrana, então a sinapse é inibitória. Os estímulos elétricos, ao chegarem à porção distal dos axônios, causam uma liberação de neurotransmissores, estes podem ser facilitadores (despolarização) ou inibidores (hiperpolarização).

3.    TEMA: CÉLULAS DA GLIA E BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA:

O Transtorno do déficit da atenção com hiperatividade (TDAH) é a principal patologia onde as anfetaminas são utilizadas com uso clínico, particularmente em crianças. O metilfenidato (ritalina) é a anfetamina mais comumente usada, em doses mais baixas que aquelas que causariam euforia e outros efeitos adversos. A ritalina atravessa livremente a barreira hematoencefálica e faz isso mais rapidamente que outras aminas estimulantes do SNC. O TDAH é afecção comum em crianças, cuja hiperatividade incessante e atenção muito limitada desagregam seu desenvolvimento escolar e social. A eficácia das anfetaminas (metilfenidato) tem sido confirmada em muitos ensaios controlados. Suspeita-se que distúrbios nas vias de dopamina sejam subjacentes a sintomatologia do TDAH. (MARTIN, 2013. Alterada).

Céluas da glia, suas funções e sua relação com a barreira hematoencefálica:

Estudos mais recentes mostraram que as glia além de nutrir, proteger e ajudar na sustentação do tecido nervoso, também regula as sinapses pelos neurotransmissores. Também são responsáveis pela neurogênese, ou  seja,  formação  de  novos  neurônios. Elas diferem em forma e função e são elas: oligodendrócitos, astrócitos, células de Schwann, células ependimárias e micróglia.

Os astrócitos, células da glia mais comuns, são células grandes em forma de estrela, com prolongamentos, núcleo grande, cromatina frouxa e nucléolo central. Estão relacionados à homeostase do Sistema Nervoso Central (SNC), desempenhando funções como: funcionamento e formação de sinapses, nutrição dos neurônios, liberação de neurotransmissores, participação na barreira hematoencefálica, guia para a migração dos neurônios e impedimento da propagação desordenada de impulsos nervosos. Dentre as suas funções, destaca-se a de nutrição. As extremidades dos prolongamentos dos astrócitos (pés vasculares) circundam os vasos sanguíneos e através deles os nutrientes são levados até o neurônio.

A Barreira Hematoencefálica é uma estrutura histológica e funcional que protege o SNC. Ela é composta por células endoteliais que revestem o sistema vascular e cerebral e desempenha um papel essencial para a manutenção da hemóstase de neurônios e células gliais, bloqueando o acesso de substâncias tóxicas endógenas ou exógenas. O cérebro não é impermeável a todos os componentes com origem no sangue. A BHE é semipermeável, isto é, permite que somente algumas substâncias a atravessem e outras não. Desta forma, existem macromoléculas na circulação sanguínea que podem ultrapassar a Barreira Hematoencefálica. Substâncias como o álcool, nicotina, cafeína, atravessam a BHE e são prejudiciais para o funcionamento do SNC. Já a maioria dos medicamentos não ultrapassa esta barreira. Isto constitui no desafio de tratar as doenças do sistema nervoso central.

Oligodendrócitos são responsáveis pela produção da bainha de mielina possuem a função de isolante elétrico para os neurônios do SNC. Possuem prolongamentos que se enrolam ao redor dos axônios, produzindo a bainha de mielina.

Células de Schwann possuem a mesma função dos oligodendrócitos, no entanto, se localizam ao redor dos axônios do sistema nervoso periférico. Cada uma destas células forma uma bainha de mielina em torno de um segmento de um único axônio.

Células da micróglia também estão presentes nas substâncias brancas e cinzenta do sistema nervoso central. Essas células são alongadas e pequenas, com núcleo em forma de bastão e cromatina condensada. Elas atuam na defesa imune do SNC.

Ependimócitos são células cúbicas ou colunares, com núcleo ovoide e cromatina condensada. Suas funções são revestir os ventrículos encefálicos e o canal central da medula.

 

Kênia dos Santos Ramos – Aluna do curso de especialização lato sensu em Neuroaprendizagem – turma A2018

Referências:

http://olharocerebro.com/index.php/2016/01/18/barreira-hemato-encefalica/ http://www.guiasdeneuro.com/barrera-hematoencefalica/?lang=pt http://www.scielo.br/pdf/rbti/v23n2/a16v23n2.pdf https://www.infoescola.com/citologia/celulas-da-glia/ https://www.portalsaofrancisco.com.br/corpo-humano/sinapses

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/sinapses-excitatorias-e-inibitorias/31324) http://www.cerebromente.org.br/n12/fundamentos/neurotransmissores/nerves_p.html